Sobre o último boy cilada da minha vida

Ele estava disposto a viajar para lua comigo, mas, na primeira oportunidade me chutou para fora do foguete e desfrutou de toda galáxia sozinho. 

Ainda tive que ouvir que eu o sufocava e teria que mudar o meu jeito de ser. Tentei, juro que tentei. Ceifando todo o meu direito de viver, busquei. Busquei em todos os lugares possíveis a mudança, mas, não tinha o que mudar. Não tinha em mim o que agradar, por que na verdade ele era mais um boy cilada. 

O meu faro nunca me enganou. Até falava para as minhas amigas que um dia eu riria de tudo isso. 

Hoje escrevo. Escrevo para compartilhar que me libertei de um sentimento que alimentei pensando que daria certo. 

Sobre ele? Um cara completamente fora de si. Engessado, não demonstra ser quem é. Mal sabe ele que está estampado entre suas entrelinhas o quão cilada ele é. Engana-se quem acredita naquela doçura de pessoa. 

Às vezes me culpo por ter acreditado naquelas infinitas palavras de amor. Devia ter seguido o meu instinto e não o meu afeto. Sei que me apeguei demais ao momento que ele se lançou mostrando toda sua "fofurice" de ser, era cilada e não percebi. 

Foram dias de cobranças diárias acreditando que o amor venceria, mas, como vencer ou perder se só tem o meu lado da história. Do lado de lá deve ser completamente ao contrário. Para ele, a esperança do que nunca vai existir. 

Se responsabilidade emocional alguma, ainda debochou quando comentei sobre tudo que sentia. 

Cilada! 

Áudios e áudios tentando transferir a culpa para a minha pessoa, alegando que não entendia quando eu implorava por empatia. 

E a louca fui eu. 

Fui eu que alimentei toda uma vontade de crescer junto com a pessoa. Dei o mundo para quem não merecia um bairro e ainda paguei o boleto mais cara da minha vida... o de trouxa. 

Não foi fácil escrever tudo isso, lágrimas rolaram enquanto digitava cada carácteres deste texto. Mas, busco superar. 

Por mais doloroso que seja, não consigo olhar na cara dele, mas, engana-se quem pensa que o desejo mal. Pelo contrário, desejo o bem. O bem de uma vida pela frente. O bem de aprender ser empático com futuras pessoas que irão cruzar seu caminho, que ele tenha toda compaixão, aquela que não teve comigo. 

Ainda hoje se ele quisesse voltar atrás, não daria mais. A dor de não tê-lo comigo nos momentos mais precisos passou, mas, esses momentos não saíram da minha memória. Como a dor de tirar a minha própria vida, por não suportar a dor de quem nunca esteve disposto à estender a mão para quem estendeu o corpo inteiro. 

Cilada! 

Quando a primeira chateação chegar, pule fora. A pessoa dirá que jamais teve a intenção, mas, não se colocará como culpado. Ainda, digo mais. Dirá que gosta muito de você ditando as regras dali pra frente. Dirá à você que entenderá se você quiser se afastar, mas, sempre que precisar poderá contar com ele. Este será o momento perfeito para você fugir, pois, a real é que você nunca poderá contar com ele. 


Imagem/Reprodução/Mario Brito/Arquivo Pessoal 

FIM! 

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